
O que é cinema hoje em dia, e de que forma pode ser considerado/julgado. Quem dita as regras e para onde se dirige? A t.v. substituiu o cinema? Qual o lugar do cinema na era do vídeo (hoje em dia dvd)? O cinema está em extinção, ou estará em breve extinto?
Wenders escreveu numa folha de papel um conjunto de questões que envolvem a morte do cinema, a televisão como substituto, a evolução do público, o vídeo como novo meio confortável de disfrutar dos mesmos filmes, mas numa perspectiva bem menor, que depois "serviu" a cineastas variados durante o festival de Cannes. Sozinhos, sentados ou em pé, numa sala, discutem para si, e na "confidência" do público, o futuro do Cinema. Godard diz que a imagem do cinema, enorme, assusta, e que as pessoas hoje em dia preferem ver uma imagem muito pequena bastante próximo, do que uma imagem enorme de longe. A perspectiva do ponto de vista do espectador, e a forma como quer lidar com essa emoção veículada de forma incontrolável (para o espectador) no cinema, é de fuga fácil na televisão (ou em casa). Este parece ser um ponto importante, na minha opinião. Já se passaram mais de 25 anos desde a execução destes "monólogos" e a discussão, parece-me, continua a ser pertinente. A arte caminhará para onde puder, e interessar aos artistas. Enquanto houver interesse individual em filmar algo, haverá também algum indivíduo interessado em contemplar essas imagens, assim como entregar as suas emoções ao controle dessas imagens. Este filme não o é na verdadeira acessão da palavra, e passados 25 anos o maior interesse será em ver as previsões certas e/ou erradas dos vários cineastas, e para os mesmo interessados pensar sobre estas questões e outras paralelas ou divergentes.

Wim Wenders brilhante cineasta, lançou este repto a outros cineastas, que recentemente tive a sorte de encontrar neste ciberespaço de perdidos e achados. Na realidade nada nem ninguém estará perdido desde que nesse dado momento se considere como tal. A consciência desse momento, dessa situação, torna-a objectivamente real, mas não em relação ao presente, mas sim em relação a um passado. O futuro é indeterminado; mas no passado próximo, desde que a memória exista, ainda que alterada pelo próprio, é definido, mesmo que incompreendido. A questão sobre quem ou o que está perdido será de resposta pessoal, mas se se consegue formular uma resposta, não se estará então perdido.
Esta obra levanta muitas questões, que a mim pessoalmente também me preocupam, somadas a outras questões que a maioria das pessoas nem sequer pensa ou se importa. Uma constante interacção ou permuta existe entre passado e futuro, uma vez que o presente não existe. É apenas um conceito.
daigoro