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29 September 2009

The apartment


C.C. Baxter (J. Lemon) é mais um empregado numa empresa d seguros, mas q ao facilitar o seu apartamento p alguns chefes irem ter as suas aventuras extra- conjugais se ve na fast-track p uma promocao. Claro q isto nao vai ser bem assim, e no meio d episodios comicos, problemas comecam a surgir neste esquema....inclusive, a interaccao c a sua propria vida amorosa!

Nota-se claramente uma separacao entre a parte comica deste filme, e qd a estoria se adensa e passa a um registo mais romantico. Eu pessoalmente achei q esta mudanco no tom d filme se nota demasiado e por isso nao torna o filme uma obra una, mas sim (qs) duas optimas partes! Dito isto, tb reconheco q a estoria teria q ir por aquele caminho e por isso as decissoes estao bem tomadas! (ou seja, tinha mesmo q ser assim!)

Shirley MacLaine está perfeita neste papel! .... este nome sempre me soou familiar, mas nao posso dizer q tenha visto nada dela q tivesse gostado....ate agora!
Os olhos dela tem qq coisa d muito expressivo, mas q ao mesmo tempo nao se fazem notar. È um olhar directo, q te diz logo o q se esta a passar.

Jack Lemon.....bem, este é um optimo exemplo q há boas maneiras d entrar nos classicos e existem más! Eu passo a explicar:
Ha alguns anos atrás vi " Out to Sea" (http://www.imdb.com/title/tt0119848/) pq tinha "os grandes actores" Jack Lemon e Walter Matthau. Pois tinha, mas em fim d carreira e num filme mau. Ora, a minha percepcao do "grande" Jack Lemon ficou d rastos e nao tive realmente vontade d o ver outra vez....
Mas quem persiste sempre é recompensado! :-)
(Num áparte a quem "critica" os classicos por serem "antigos, a preto e branco, monotonos e desinteressantes" --> se calhar estao a ver os classicos errados !!!!!!!!!!!!!!)
Ora aqui o J.Lemon está mt bom!! Bom na parte comica (embora nao perfeito) e super credivel na parte amorosa! Um optimo registo dual, q nao esta ao alcance d todos!

Uma comédia como já nao se fazem!
Subtil mas ao mesmo tempo deliciosa.
Q dá p rir e chorar ao mesmo tempo.
Com alguma critica social e empresarial, mas nao moralista!
Um filme completo, bem disposto, facil d ver, mas ao mesmo tempo abrangente como a vida!
Um GRANDE classico! :-))))))

17 December 2008

"The Apartment", de Billy Wilder [1960]

125 minutos, Preto e Branco.

Billy Wilder é um cineasta que ainda mal comecei a explorar. No entanto, já aqui escrevi uma crítica sobre um dos filmes dele, "Sunset Blvd.". Este realizador, tendo aparecido numa altura em que o cinema de Hollywood era já sinónimo de puro entretenimento, Wilder emigrou para os E.U.A. para escapar ao regime nazi, onde continua a sua carreira a escrever argumentos, destes, alguns policiais, estando na fila da frente do "film noir" com "Double Indemnity", 1944, tendo escrito o guião com Raymond Chandler, renomado autor de policiais; sendo este autor, um dos que, sem dúvida "has more than meets the eye".





"The Apartment", de Billy Wilder é uma obra de referência, e para fins de esclarecimento, porque há outros títulos parecidos; há também o francês "L' Apartment" de Gilles Mimouni, de 1996, com Romane Bohringer, Vincent Cassel e Monica Belluci que foi alvo de um remake, chamado "Wicker Park", de Paul McGuigan, 2004, com aquele actor giro e nem por isso assim tão mau quanto isso, o Josh Hartnett. Não vi o "Wicker Park", mas vi o "L' Apartment" e do que me recordo é muito bom, mas nada tem a haver com o "The Apartment" de que aqui falo.

Jack Lemon e Shirley McLaine estão soberbos. A estória parecerá simples, tal como muitas obras desta altura, as quais passavam pelas entrelinhas muitas ideias e considerações de sua justiça. Um grito surdo, apenas para quem o quiser ouvir, num filme de aparente comédia leve sobre amor e sem uma história de fundo que aparente ser razão para pensar, Billy Wilder constrói reflexões profundas sobre as acções do humano. Jack Lemon prostitui a sua integridade assim como a sua ética por uma subida mais rápida no mundo corporativo, cedendo o seu apartamento na cidade para os "rendez-vous" de colegas bem-posicionados na empresa.



Aqui, o alvo é a sociedade ocidental, as suas cidades, pejadas de prédios, virados para as ruas, ensombradas por arranha-céus. Escritórios longos e ordenados, mais compridos do que a vista alcança, onde tantas formigas obreiras se mantêm ocupadas pelo enorme bem de tão poucos, e pelo devido, o seu próprio.

Os cargos de poder munem estes homens de confiança, e, como se o poder não fosse sedutor, ou atractivo o suficiente, para homens tanto como para mulheres, a confiança obrigatória aos detentores de tais cargos, arma-os o suficiente para que poucos "inimigos" se possam defender e recusar a conquista. As mulheres sempre em lugares inferiores, ainda não haviam atingido o seu lugar na sociedade corporativa, e enquanto lutam por cumprir os seus deveres profissionais, assim como os seus objectivos pessoais, são abordadas com promessas vãs, que aos poucos as seduzem.




Este filme aborda não só o lugar do homem e da mulher na sociedade actual, assim como o do indivíduo quer seja homem ou mulher e a sua inevitável interacção com outros indivíduos, assim como a possível ligação emocional. Nesta sociedade moderna a espera é a constante, e a garantia, certamente, será a recompensa após a espera, e o cumprimento diligente. Subjugar, à promessa, não à certeza. A espera. A procura. O apaziguar do humano e mais ainda da mulher, uma vez que os homens eram os únicos detentores de cargos importantes. Envolver as mulheres em tais mundos seria como dar aos peixes a habilidade de respirarem fora de àgua, mas continuarem com barbatanas, inadequados para a movimentação terrestre. É claro que as mulheres são humanas e eventualmente haveriam de dar a volta, e com tal fúria, que muitas se tornariam e tornam iguais ao que criticam. Como factor de apaziguo social ver a publicidade/marketing que tanto promete, mas nada cumpre. Um factor de controle e auto-satisfação das massas. "Auto" por causa do aparente controle sobre o que vemos, multiplicado pela constante emergência de cada vez mais e mais canais de t.v., movimento recentemente reavivado com as t.v.'s interactivas. Na cena em Jack Lemon se confronta com a t.v., como homem, mas também como ser sensível, incomoda-o a publicidade assim como a programação de televisão absurdamente e obstinadamente máscula, com perseguições, filmes de cowboys, pancada, etc. No momento em que se decide por um programa interessante terá de esperar por uma mensagem dos patrocinadores.

Este filme é tão actual quanto na altura, pelo que aconselho o visionamento. Com um humor aguçado e crítico, a estória constrói-se rapidamente com constantes gags, e mais ainda para os mais atentos; através de uma abordagem leve, a estória é profusa de significados e de conteúdos. A direcção de Wilder está como sempre brilhante, com pormenores de camera sempre sóbria, mas no local certo. E uma grande direcção de actores, mas também com um elenco-destes...



Ele: - "All right I'll take you to the subway."

Ela: -"Like hell you will. You'll buy me a cab."

Ele: - "Why do all you dames have to live in the Bronx?"

Ela: - "You mean you bring other girls up here?"

Ele: - "Certainly not. I'm a happily married man."


in "The Apartment"



daigoro

27 September 2008

"Cruel Story of Youth", de Nagisa Oshima [1960]


Nagisa Oshima famoso no ocidente pelo seu filme "In the Realm Of The Senses" [1976] ("Império dos Sentidos") filma com particular crueldade humana as opções e vivências de um jovem casal numa cidade japonesa, umas duas gerações pós 2.ª guerra mundial, altura de redefinição cultural para o povo japonês. A liberdade assumida pelas gerações que dela aparentemente gozam com total irreverência, é a mesma que os prende às responsabilidades que dela têm de advir sem que as gerações anteriores os tivessem avisado, ou ensinado. Até porque estas não sabiam, nem haviam lidado com tal possibilidade. A personagem do pai de Makoto que não sabe como repreender a sua filha mais nova, ao mesmo tempo que a mais velha se queixa de que ele não a deixou fazer o que ela pretendia quando esta era mais nova.

Kyoshi conhece Makoto, salvando-a de ser violada por um homem que lhe dava boleia para casa. Apesar de ela e da amiga terem outras opções para se dirigirem às suas respectivas casas, decidem pedir boleia, não sem sondar os homens a quem as pedem, por considerarem que é mais excitante. Kyoshi é duro para com Makoto, questionando algumas das suas opções e confrontando-a com a sua própria sexualidade, e a procura da mesma. A violência com que Kyoshi trata Makoto, como se de um aviso se tratasse, é um abanão à clamada irreverência e rebeldia juvenis, uma tentativa de trazer alguma perspectiva às irresponsáveis atitudes de Makoto. A impetuosidade típica dos jovens, da sua raiva (mal dirigida) e revolta aparentemente sem sentido leva-os a perpetrar actos sem considerar as consequências, tornando-se ambos criminosos extorquindo dinheiro de homens mais velhos que tentam levar "a sua vontade" com Makoto. Esta ambiguidade está latente nas atitudes dos jovens aqui representados, nas suas atitudes e considerações, assim como na filmagem de Oshima, ora concisa e controlada, ora tremida e facilmente distraída/atraída por/para pormenores sem aparente importância.




O uso da cor, e da iluminação dos quais Oshima faz uso são assaz brutais , ficando a opção do frame como o melhor (na minha opinião) toque do filme. Um verdadeiro "delicatessen" profuso em significados e ideias, ilustrativo de geração perdida (algo que sempre existiu e sempre existirá) mas que aqui se ultrapassa a si próprio e ao tema do sexo na juventude. Não há elogios suficientes para o trabalho de camara, que não é pomposo e gritante, mas subtil, genialmente subtil. Desde panorâmicas lentas e pausando em momentos chave, até ao uso de "camara na mão", algo pouco usual nesta altura coincidindo com o movimento de nouvelle vague que por esta altura explodia por várias partes do mundo cinematográfico.

daigoro

29 May 2008

"Peeping Tom", de Michael Powell [1960]




"I feel...
I can't describe it,
I can only photograph it."

Mark Lewis, in "Peeping Tom"


"Peeping Tom", é um filme sobre a tendência doente do voyeurismo, colocada num extremo ainda mais doentio, em que a personagem principal, Mark Lewis (Carl Boehm), experimenta sobre o medo, a reacção ao medo, e a provocação do medo nas pessoas que se tornam nos objectos fotografados pela sua camêra.

Mark trabalha para um estúdio de cinema, para o qual é o técnico de Focagem, e nos tempos livres faz fotos eróticas estilo "pin-up" na clandestinidade, artigo muito procurado pelos clientes da loja para a qual ele as realiza. Mark foi abusado psicologicamente por seu pai, cientista brilhante, que efectuou estudos muito extensos sobre o medo e o sistema nervoso, usando para tal o seu próprio filho, e tendo efectivamente filmado tais experiências. Advindo daí, certamente, a sua paixão pelo "olho" da camâra, assim como um certo desvio de comportamento. É, no entanto, um jovem bastante inteligente, mas extremamente tímido e fechado. Desde jovem que Mark revelava já um certo interesse pela observação, mas também pela sexualidade livremente expressada pelos casais, como por exemplo um casal que se esteja a beijar num parque. Quando uma rapariga do seu prédio demonstra começar a desenvolver uma certa afeição por ele, pessoa particular, apesar da sua assustadora estranheza, mais do que pela normalidade de um outro jovem que habita no mesmo prédio, Mark abre-se e, de certa forma, aproxima-se dela, aparentando buscar um certo controle sobre o seu distanciamento emocional relativamente aos demais humanos, em oposição ao distanciamento físico de voyeur.

As cores saturadas do filme, e os seus cenários, que transpiram a ambiente de estúdio, ajudam a criar o ambiente desta realidade "sui-generis", plástica, como que moldável por Mark, tal qual o mundo de fantasia de uma criança. O mais interessante e digno de estudo neste filme, será a inter-relação entre o "simples" voyeur, o obstinado observador, e o cineasta, observador por obrigação, e prazer, certamente. O filme está repleto de pormenores deliciosos, embora sórdidos, que completam a metáfora do filme dentro do filme. Quando Helen beija Mark, ele encosta pouco depois os seus lábios à objectiva da sua camâra, em sinal de afeição, assim como, em procura da verdade, da realidade, comprovando-a. Enquanto a sua vida pessoal parece estar próxima de se definir, numa nova direcção, controlando os seus impulsos, a sua obra dirige-se vertiginosamente para o fim, onde a sua displicência relativamente a todas as circunstâncias externas se evidencia, assumida. Afinal esta era a sua intenção. Completar a sua obra, o seu estudo.


" - What would frighten me to death?
Set the mood for me Mark.

- Imagine someone coming towards you.
He wants to kill you.
Regardless of the consequences.

- A madman?

- Yes.
But he knows it! "

in "Peeping Tom"


daigoro