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04 June 2010

Lawrence of Arabia

Um oficial inglês T.E. Lawrence (Peter O'Toole) durante a sua estada em Cairo em 1916 é-lhe designada a missao de ir viver por uns tempo com Prince Feisal para saber quais as suas intencoes após este periodo de guerra com os Turcos. A sua missao era para ser de apenas 3 meses, mas ele enraizou-se de tal maneira na comunidade/tribos por onde passou, que acabou por lideral um exército de árabes, de diferentes tribos, mas sempre em nome do império inglês.
O filme é extremamente longo (muito perto das 4 horas) e nao é assim tao bom.
Estou feliz por o ter visto (está arrumado, nao se fala mais disso), mas deixa muito a desejar, principalmente quando comparado com outros épicos que sofrem dos mesmos problemas que todo o cinema desta época: representacoes teatrais, cenas extremamente longas, cenários fabricados, and so on and so on....
Por isso pondo de parte estas características dos filmes mais antigos, este filme nao está, quanto a mim, no nivel que o colocam.
Tem uma história interessante até ao final da primeira parte, a segunda parte é estranha, nao faz muito sentido e nunca é explicada muito bem. Durante todo o filme há coisas que por momentos sao ditas pelos personagens, mas que mais tarde acabam por se contradizer. Os personagens, para além do Lawrence, nao me parecem bem exploradas, em expecial o do Omar Sharif, sendo que é o personagem que acompanha o Lawrance por mais tempo e vai sempre parecendo um personagem do mais figurante.
Foi uma desilusao!
Acho que a única coisa que nao desilude é mesmo a música, do mais ao estilo dos super-clássicos.

17 April 2009

Birdman of Alcatraz

Este filme é baseado na história verídica (ou na biografia) de Robert Franklin Stroud, um homem que passou 54 anos em diversos estabelecimentos prisionais, após ter sido condenado a prisao perpétua.

Eu nao conhecia a história dele. Mas depois de ver o filme, fui à Wikipedia. Diz-se que o filme tem uma grande componente de fantasia e de manipulacao de factos, nomeadamente no que respeita à explicacao do carácter/comportamento de Stroud, à sua evolucao em termos humanos e à sua reabilitacao.

Sem querer revelar muito, este retrato desperta empatia e admiracao (devido, obviamente, aos seus feitos na área da ornitologia) e chega mesmo a fazer-nos esquecer a razao da sentenca.

O filme também aborda, embora de uma forma mais secundária, o relacionamento entre os prisioneiros e o sistema penal norte-americano.

Magnífico neste papel, Burt Lancaster entra em praticamente todas as cenas e é sem dúvida a alma do filme. A caracterizacao parece ser muito boa, mas é a linguagem corporal deste senhor que nos mostra o envelhecimento e a transformacao da personagem.

Sem dúvida, um filme a ver!

28 September 2008

"La Jetée" de Chris Marker [1962]




"La Jetée", traduzido livremente para português: O Cais, sendo também um possível jogo com o quase homófono, Ali Estava Eu (Là J'étais). Curta épica de Chris Marker que deu origem ao americano e renomado filme de Terry Gilliam, "Twelve Monkeys", [1999], cujos direitos Marker cedeu sem exigir nada em troca, e sem querer sequer interferir na obra segunda. Segundo Marker, se a a sua curta havia servido para inspirar algo mais, pois então que o levassem avante sem contemplações, e que explorassem as suas ideias até à (virtual) complecção.

As possíveis várias interpretações fónicas do título desta obra, são também indicativas das possibilidades interpretativas e generativas de pensamento desta e de todas as obras de Marker (pelo menos das que já tive o prazer de assistir).



Marker é obcecado pela memória e suas constantes sobreposições de fabricações interiores, re-interpretações normais e naturais, mesmo automáticas, para o ser humano, sem que com isso nos preocupemos em demasia. Marker adorou o conceito do filme "Vertigo" de Alfred Hitchcock [1958], conceito esse presente neste filme em que um homem é obcecado por uma imagem, neste caso, de infância, de uma mulher. Após a 3.ª Guerra Mundial, os humanos vivem no subterrâneo como forma de escapar às austeras condições ambientais no exterior, efectuando experiências de viagens no tempo na tentativa de recuperar/recolher formas de sobreviver no "presente".

Esta curta-metragem, de 27 minutos, com um ritmo assombroso, e imagens lindíssimas, é contado em forma de foto-novela, com um momento, um singular momento, que é tão belo quanto fugaz, tão etéreo quanto o presente (o conceito de presente, de agora). Esse momento é a verdadeira homenagem ao cinema. A verdadeira homenagem à imagem-em-movimento, quer se acredite quer não, efectuada num filme que se "movimenta" imagem a imagem.

Tenho vindo a admirar cada vez mais a complexidade da obra deste artista em todas as suas vertentes. Além de se dedicar a uma intimista visão do documentário-filosófico (Marker estudou com Jean Paul Sartre) numa perspectiva mais cinematográfica, é também desde os inícios do video um entusiasta.

Muito mais há para explorar sobre este autor, pelo que isso deixarei aos mais interessados, pela vídeo-arte, e por conceitos que se misturam como cinema, vídeo, futuro e presente. Como extra ver o meu post anterior, [Room 666, de Wim Wenders] .



daigoro