20 April 2008

Take Another (Long) Look At The Classics


Devido a uma certa extensão deste, inicialmente comment, decidi fazer um post.

Senti necessária uma certa clarificação relativamente a termos e expressões logo, aqui vai:

A idade do ouro (golden age) do cinema fica compreendida entre 1930's, talvez um pouco antes, quando surge o "Jazz Singer" (1927) (altura em que os filmes "falados" começam a aparecer) e irá até aos finais dos anos 40. Altura em que os musicais proliferavam e havia um glamour inerente ao cinema produzido em hollywood. Na década de 1940 surge o Film Noir, já inspirado nas óbvias referências do cinema expressionista alemão, (subjectividade da camara, iluminação cuidada, e contrastante) sendo alguns dos realizadores (Fritz Lang, Billy Wilder, F. W. Murnau, Otto Preminger) que o iniciaram, precisamente alemães, austríacos, e europeus em geral, em fuga do regime nazi. O americano Orson Welles com o seu "Citizen Kane", 1941, piscava já o olho a este estilo, tendo mesmo "encerrado" estes períodos com uma das suas obras, o "Touch of Evil", 1958, assim como o final do cinema "dito" clássico. Todas estas classificações terão sempre o inconsiderativo poder de serem peremptórias, no entanto é essa a visão e a posição da História, no analítico relance sobre o passado.

Isto para dizer que a definição de clássico para a maioria das pessoas é demasiado ambíguo, podendo haver filmes que não serão clássicos, mas que ainda recaem num passado já não tão recente e, logo, difíceis de serem apreciados, ou melhor, tolerados por muitas pessoas. Esta tolerância a cinema anterior à geração televisão/internet, é cada vez menor, como o caso da reflexão do Al sobre o "Citizen Kane". Filme brilhante, mesmo para os dias de hoje, de algo difícil visionamento, devido à sua linha narrativa não linear, aos seus planos subjectivos, à densidade da estória traduzida também na sua duração. Este é no entanto um filme bastante importante, e será até dos mais fáceis de encontrar. E é também este um dos problemas no que diz respeito aos filmes clássicos. Muitos dos bons são realmente difíceis de encontrar. Eu sei, tenho dedicado os últimos anos a procurar, um de cada vez e, aos poucos, a saciar a minha sede.

-Eisenstein é essencial na minha opinião, principalmente na sua fase de cinema mudo, com "Greve", 1925, e "O Couraçado Potemkin". Eisenstein efectuou imensas experiênciais sobre a montagem/edição cinematográficas, tendo escrito diversos ensaios sobre estas técnicas, de forma a enaltecer a estrutura narrativa e emotiva das suas estórias, com absoluto cariz histórico. A edição efectuada hoje em dia no cinema partiu deste senhor, da escola de cinema russa, juntamente com Dziga Vertov "The Man With The Movie Camera", 1929.

-"Pandora's Box", de Georg Wilhelm Pabst - cinema mudo, eximiamente bem filmado, e genialmente interpretado por Louise Brooks, já o Sérgio o havia referenciado.

-O "Rear Window", (Janela Indiscreta) , 1954, de Alfred Hitchcock, com a belíssima Grace Kelly, e um dos melhores planos sequência logo no início do filme, de que há memória. O "Notorious", 1946, juntamente com o "Suspicion" de 1941, são na minha opinião os melhores dele.

-"M" - "Matou", 1931, de Fritz Lang (realizador alemão que foge do regime nazi para os EUA, um dos principais realizadores do expressionismo alemão, realiza várias obras mudas, antes deste filme falado). Há muitas outras obras dele que são verdadeiramente interessantes, mas isso deixarei que seja a curiosidade a incitar-vos. "The Cabinet of Dr. Caligari", 1920, de Robert Wiene e seus espectaculares cenários, valendo a pena o sue visionamento, foi um filme que Fritz Lang estava inicialmente para realizar, tendo optado por filmar o "The Spiders", 1920.

- "La Mauvaise Graine", (Semente do Mal),1934, "Sunset Blvd.", (O Crepúsculo dos Deuses), 1950, de Billy Wilder (realizador genial, que hoje em dia é apenas associado com Marylin Monroe, e a sua mítica cena da saia a levantar-se em "The Seven Year Itch", 1955.

-"Germania Anno Zero", 1948, e "Roma, Città Aperta", 1945, de Roberto Rossellini, que inicia junto com Federico Fellini, "La Strada", 1954, e com Vittorio de Sica, "Ladri di biciclette", 1948, o neo-realismo italiano. Forma de subversão ao sufocante regime fascista e à sua implacável máquina de propaganda, devolvendo o olhar da arte ao cidadão comum e aos seus problemas.

- "Morangos Silvestres", 1957 , de Ingmar Bergman. Este realizador é incontornável, e tudo o que eu pudesse dizer sobre ele seria francamente pouco. Aconselho também, "O Sétimo Selo",1957, já referido por Al. Não é no entanto um realizador fácil devido ao seu cariz contemplativo, certamente herdado em parte pela sua paixão pelo teatro.

Haveriam outros, muitos outros importantes realizadores, como John Ford, com "As Vinhas da Ira", 1940, Elia Kazan com "Há Lodo no Cais", 1954; "A Leste do Paraíso", 1955; e "Um Eléctrico Chamado Desejo", 1951, com Marlon Brando. Este realizador é de facto muito bom, na minha opinião, tendo ainda outros filmes de relevo. Carl Theodore Dreyer, Friederich Wilhelm Murnau (referido pelo Sérgio), Frank capra com "It's a Wonderful Life", 1946; enfim, a lista seria enorme de obras de referência, e caracterizadoras destas eras.
Aproveito para lançar também o repto sobre as décadas seguintes e seus mais importantes filmes a visionar, ou seja pós 1958, ou pós 1950 (segundo o desafio do sérgio).

Esta lista está por ordem de relevância para os menos habitués destas andanças. Ou seja tentem começar pelo topo da lista e caminhar por aí abaixo (ou melhor, por aí acima).
Quanto à aversão ao preto e branco já será de cariz psicológico, mas todos nós vimos filmes recentes filmados a preto e branco e sem qualquer problema. Deixem esses complexos para trás e deliciem-se.

Finalmente remeto-vos de volta para os posts do Sérgio, e o comment ao mesmo do Ulisses, cujas óptimas observações serviram de pilares a este meu post.

daigoro

P.S.: O "The Birds" , 1963, do Alfred Hitchcock é a cores. ; )

1 comment:

Sergio said...

Bem...deliciei-me com a tua lista, e, embora ja conhecesse bastantes, ;-) "é sempre bom recordar"...
Acho q será um bocado pesada p alguns dos leitores e o meu post inicial era mais "a pedido". No entanto como post histórico e reflexao sobre uma epoca está fenomenal...os meus parabens!

Nao percebo é como é que nao incluis Chaplin na tua lista!!! Esquecimento ou (consideraste) mas nao foi suficiente p incluires no teu top? (espero bem, p bem seja a primeira!!)